Será que Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar vão amarelar na Copa?

Roberto Shinyashiki

Roberto Shinyashiki

Especial para o UOL
  • Flávio Florido/UOL

Sera que um craque do nível desses gênios é capaz de amarelar em uma Copa do Mundo? A história das Copas mostra que sempre existe um craque que não produz o que se espera dele, por isso não será nenhuma novidade se um dos três decepcionar nesta Copa ou, pior ainda, se os três falharem na hora da decisão.

Todos nós sabemos que os jogadores especiais são estudados à exaustão pelos adversários e que a marcação vai ser muito forte.

Nesse momento, os especialistas estão procurando uma forma de anular Messi, Cristiano e Neymar como no passado estudaram Pelé, Maradona, Garrincha, Zidane ou o Ronaldo Fenômeno.

Ser analisado e marcado nos mínimos detalhes faz com que favoritos muitas vezes não realizem os seus objetivos. O estudo estratégico dos favoritos pode ser o motivo pelo qual um campeão da Copa das Confederações nunca tenha sido campeão do mundo no ano seguinte.

Nós também sabemos que os gênios precisam da equipe para poder atuar com maestria. Os marcadores estarão preparados e serão duros quando tiver de pará-los. Aqui entra a importância da equipe.

Os companheiros dos craques terão de se apresentar ao jogo para aproveitar as oportunidades que serão criadas com o esquema especial de marcação do adversário justamente em cima destes mesmos gênios.

A vitoria do Real Madrid sobre o Atlético de Madrid na final da Liga dos Campeões mostrou que quando Cristiano Ronaldo não consegue produzir pela deficiência física ou pela marcação, os seus companheiros assumem a responsabilidade e tiram proveito da situação.

Sabemos também que alguns treinadores, com seus respectivos esquemas táticos, podem atrapalhar muito um atleta especial.

Isso aconteceu com o craque brasileiro. Como alguém como Neymar pode render seu máximo com um treinador que pede para que ele volte para marcar um lateral? 

Aliás, treinador que pede para o seu astro voltar para marcar cria tranquilidade no time adversário, pois o sonho de toda zaga é que o astro fique longe da área. 

Agora o pior de tudo é que tem grandes jogadores que amarelam na hora da decisão, e o medo de falhar faz com que o seu cérebro gaste energia para não errar ao invés de trabalhar para ele entrar em um estado de alta performance. Os músculos tensos  produzem ácido lático, que diminui a força muscular, e o atleta erra jogadas simples. 

Um atleta que sente a pressão manifesta dois tipos de reações: apatia ou irritação. Muitas vezes, a torcida fica irritada quando vê um atleta não participando do jogo e pensa que ele esta fazendo corpo mole .Na verdade, ele esta com excesso de lactato nos músculos, que faz com que os seus movimentos fiquem travados .Outras vezes, nos vemos um excesso de vontade de resolver que torna o atleta irritado e ele fica sujeito a ser expulso.

Fisiologistas norte-americanos descobriram que as reações bioquímicas dos atletas na véspera de uma Olimpíada são iguais as alterações verificadas em soldados que vão lutar em uma batalha.

Um militar fica imaginando todas as possibilidades dolorosas como a morte no confronto, um ferimento grave ou a perda de uma parte do corpo. Isso coloca esse soldado em um estado de tensão que pode fazer com ele entre em panico na hora H, mas também o coloca em um estado de alerta que é fundamental para que ele atue com precisão. Um atleta antes de um jogo tem as mesmas reações fisiológicas e psicológicas. Passam por sua mente todas as possibilidades dramáticas como jogar mal, ser criticado e o medo de falhar, ser ridicularizado ou passar vergonha .Na guerra, a destruição pode ser do corpo, mas em uma Copa pode acontecer a destruição do ego. Nos esporte, a capacidade de superar todas as dificuldades é que determina aqueles que são grandes atletas daqueles que são os gênios.

Para o gênio, não existe limites .Com simplicidade, eles crescem na hora da decisão.

Foi sempre impossível marcar gênios, isso aconteceu com Pelé, Garrincha e Maradona. Os adversários os estudam nos detalhes e procuram anulá-los com precisão, mas os gênios tem uma riqueza de recursos tão grande que a a vida dos seus marcadores vira sempre um inferno. Para eles não tem estudo que os anulem.

Agora é hora de saber quem é gênio de verdade ou quem é um simples mortal. 

Quem você acha que vai amarelar?

Roberto Shinyashiki

Roberto Shinyashiki é médico psiquiatra, com pós-graduação em Administração de Empresas (MBA - Universidade de São Paulo) e doutorado em Administração e Economia (Faculdade de Administração e Economia - USP). É também Consultor e orientador de altos executivos de empresas dos setores público e privado



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