Realismo europeu e da Copa do Mundo tornam Neymar mais pragmático

Fernando Duarte

Do UOL, em São Paulo

Na entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira em Teresópolis, o discurso de Neymar da importância do grupo sobre o indivíduo pareceu passar da resposta ensaiada. Depois de sua primeira temporada no futebol europeu e passados quatro jogos de sua primeira Copa do Mundo, o atacante do Barcelona e da seleção brasileira teve a chance de ver de perto a competitividade do esporte em seu mais alto nível, uma experiência que amistosos e a Copa das Confederações não poderiam ter proporcionado.

Daí surgiu um Neymar cujo amadurecimento não pode ser medido apenas em gols ou jogos, mas também pelo entendimento de que o jogo "jogado" difere ainda mais do idealizado. O sonho de vestir a camisa da seleção brasileira num Mundial, nutrido desde 2002, quando viu Ronaldo Fenômeno ser campeão do mundo no Japão, está sendo realizado. Mas Neymar já parece ter percebido que o caminho até a taça é muita vezes menos heroico e mais mundano.

"Às vezes não é só festa, não é só 5 a 0, 4 a 0. O futebol hoje está muito igualado e o time que se compromete mais acaba vencendo. Foi por isso que a gente (a seleção brasileira) chegou até aqui", explicou Neymar, pouco antes da viagem para Fortaleza, onde a seleção na sexta-feira enfrenta a Colômbia por uma vaga nas semifinais.

Embora seus companheiros de equipe já tenham deixado claro que o consideram o plano A da seleção para os momentos complicados, conforme o centroavante Fred "confessou" na semana passada, Neymar têm mostrado um perfil menos individualista. Foi o terceiro jogador brasileiro que mais correu nas quatro partidas até agora e o que mais chutou a gol – só que seu mapa de tentativas mostra que cinco de seus 13 chutes na direção do gol ocorreram de fora da área, o que sugere maior preocupação com o fim do que com os meios.

O fato de que Neymar é um dos atacantes da Copa que menos fez jogadas individuais de acordo com as medições da Fifa (quatro contra 10 do holandês Arjen Robben, por exemplo), também sugerem um posicionamento mais "altruísta" e com menos dribles. Qualquer dúvida sobre as intenções foi sanada por seu apoio público à causa que um de seus comandantes na seleção, o coordenador-técnico Carlos Alberto Parreira, tanto defendeu quando comandou a equipe no Mundial de 1994: a de que vencer importava mais que a qualidade da vitória.

"Eu não estou aqui para dar show, a última coisa que buscamos é dar show. Estamos aqui para vencer e se tivermos que só defender e ganhar o jogo de meio a zero a gente vai ganhar. Não importa se não der chapéu, caneta, se não vai fazer todo mundo rir", disparou em Teresópolis.

Sendo assim, Neymar tem se esforçado também na tentativa de prover. É o brasileiro que mais bolas tentou colocar na área, por exemplo, com 11. E ainda que seja o segundo jogador que mais sofreu faltas na competição (14), ele está apenas atrás de Luiz Gustavo como o mais faltoso da seleção (10 faltas cometidas contra sete).  Contra a Colômbia, porém, Neymar estará sob o risco de ficar fora de uma possível semifinal caso leve um cartão amarelo, já que foi advertido contra a Croácia na estreia. Mas o jogador não dá sinais de que estará com o problema na cabeça.

 "Eu espero que a seleção brilhe. Na minha primeira entrevista coletiva aqui eu disse que não queria ser artilheiro e que buscava o título. Quero que o Brasil ganhe, mesmo seu eu não jogar nada nesse jogo (contra a Colômbia)", afirmou.

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