Argentinos fazem 'loucuras' para chegar à Copa do Mundo no Brasil

Do Clarín, em Buenos Aires

Faltando poucos dias para o começo da festa da Copa do Mundo no Brasil, torcedores argentinos estão dispostos a fazer várias "loucuras" para realizar o sonho de ver o Mundial de perto no país vizinho.

Duas amigas vão viajar pedindo carona, dois rapazes resolveram ir de bicicleta, um casal de namorados se casou para viajar e um torcedor preferiu não terminar sua casa para pagar a viagem. Confira algumas das "loucuras" que os argentinos farão para chegar ao Brasil.

De carona

"Foi em novembro do ano passado. Eu estava dirigindo e Yanina, minha amiga, estava no banco de trás. Aí eu virei, olhei para ela e disse: Vamos para a Copa? Ela não hesitou nem um segundo e me disse 'sim', um 'sim' completo", conta Antonella Peri (25), de Concordia, Entre Ríos.

Ela e Yanina Chauque (23) pensaram em ir de carro, "mas achamos que era muita grana e pensamos que o mais barato era ir pedindo carona", diz. Assim, arranjaram uma barraca e sacos de dormir para acampar na estrada, uma panelinha e comida não perecível. E conseguiram alojamento por coachsurfing, ou seja, vão dormir de graça na casa de algum desconhecido. "Meu pai me disse que se eu não fosse ele me dava um terreno de presente. Eu respondi "pai, é mais fácil comprar um terreno algum dia do que achar alguém que me acompanhe para a Copa de carona agora". Antonella vai pedir demissão do trabalho e vai adiar sua formatura como advogada. "Todos dizem que nós estamos loucas, mas para nós está muito claro: isso só acontece uma vez na vida".

De bicicleta

Sebastián Guida (41) é gerente do Banco Provincia de Miramar e seu amigo, Matías Lombroni (29), é chefe de área. Mas há seis meses eles deixaram de lado os números e começaram a treinar: spinning forte três vezes por semana, subidas e descidas para fortalecer as pernas, natação todos os dias. Um esforço físico brutal para ir à Copa, do jeito deles: de bicicleta.

"Precisamos fazer uma média de 100 km por dia, levamos poucas coisas, só o necessário para acampar na beira da estrada", conta Sebastián. Se conseguirem, pedalarão durante um mês até chegar no Rio.

Com a poupança da casa

"Eu nunca ganhei nada na minha vida. Por isso, quando chegou o email dizendo que eu tinha sido sorteado e que tinha os ingressos para as três primeiras partidas da Argentina quase morri de felicidade, foi a mesma sensação que eu senti quando o meu filho nasceu", diz Santiago Ferrario (34), de Chabas, província de Santa Fe. Um pequeno detalhe: ele tinha dinheiro guardado, mas era para terminar a casa. "Minha mulher, Alejandra, sabia o que isso significava para mim. E quando ela viu a minha loucura ela teve que aceitar: por causa da Copa paramos a construção da casa. E tem mais, já gastei os 40.000 pesos que nós tínhamos economizado para terminá-la", diz ele, que tem uma empresa de logística e vai viajar com Agustín, o filho de oito anos.

De Lua de Mel

Eles se conheceram há quatro anos. Ela, professora de educação física e ele, advogado. Até aí pareciam de mundos opostos, mas o que eles não sabiam era o enorme detalhe que já os unia. Ela era uma fã roxa do jogador Diego Armando Maradona e ele seguidor incondicional do atacante Lionel Messi.

"O relacionamento foi crescendo assim. Nós viajamos para as Olimpíadas de Londres e depois fomos morar juntos: nós e a nossa coleção de 300 bolas de futebol de competições oficiais", diz Valeria Mungo (37), do seu apartamento de três cômodos em Villa Urquiza.

A relação deu tão certo que eles resolveram se casar. "E quando nós estávamos pensando na data, meu noivo disse: Já sei! Vamos nos casar em junho de 2014 e vamos de lua de mel para a Copa. Eu achei que era a lua de mel perfeita: usaríamos os dias de folga para viajar e a grana dos presentes nos ajudaria a pagar tudo".

Então marcaram a data: vão se casar no dia 14 de junho e vão para o Brasil. Compraram apenas passagens de ida, com a ideia de ficar pelo menos até as quartas de final, reservaram hotéis, compraram os voos internos, gastaram cerca de 10.000 pesos em ingressos de revenda para a segunda e a terceira partida da Argentina e mais um tanto em ingressos para outras sete partidas que Gianfranco Sanzi (36), o futuro marido, madrugou para comprar pela web.

Veja também



Shopping UOL

UOL Cursos Online

Todos os cursos