Seleção evita atrito, mas mostra desconforto com declaração de Felipão

Gustavo Franceschini e Ricardo Perrone

Do UOL, em Fortaleza

Incomodado com a pressão, Luiz Felipe Scolari reuniu seis jornalistas mais próximos e disse, entre outras coisas, que se pudesse trocaria um dos 23 jogadores da seleção brasileira. Em entrevista concedida logo após a vitória por 2 a 1 sobre a Colômbia, os atletas se manifestaram sobre o assunto. Embora tenham evitado entrar em atrito, todos mostraram o desconforto causado pela situação.

"Eu não cheguei a acompanhar isso aí. Se for o opinião dele… A gente fala isso sem pensar. O grupo todo é excelente. No meu modo de ver são os melhores 23 do Brasil. Se ele pensar bem, ele não trocaria ninguém", disse Oscar, com todo o cuidado de quem não quer entrar em confronto com o chefe.

"Na verdade eu não ouvi essa declaração dele. Acho que ele teria dito isso para nós pessoalmente. Eu particularmente pensei que era até boato. Ele sempre falou que o grupo está bem unido e fechado", disse Hernanes, que titubeou após a insistência do repórter. "Eu não ouvi a conversa. Não acredito em boatos, e ainda mais boatos ruins que vêm tentar conturbar nosso ambiente. Eu deixo de lado. Prefiro não acreditar", concluiu o meia.

Só que Felipão falou. A conversa com os jornalistas ocorreu na última segunda-feira. No dia seguinte, o blogueiro do UOL Esporte, Juca Kfouri, publicou na Folha de S. Paulo que o técnico admitiu que trocaria, se pudesse, um de seus convocados. Na última quinta ele voltou ao assunto, reforçando a ideia de que não se arrependeu.

"Não trocaria. O que eu disse foi que nesse momento da competição poderia acrescentar um jogador com uma característica diferente, que por uma razão ou outra poderia acrescentar alguma característica, mas quando escolhemos os 23 morremos abraçados com os 23", disse Felipão, repetindo a analogia da morte que já havia feito na ocasião da convocação.

A justificativa do técnico não colou internamente. Além da possível troca, incomodou o elenco a análise de que o time estava mal emocionalmente, rechaçada por todos os jogadores. Em ambos os casos, não citar um nome foi um agravante, já que, na visão dos atletas, o grupo todo fica exposto às críticas. Não por acaso, de todos os atletas questionados pela reportagem na saída do Castelão, nenhum defendeu Felipão abertamente. No máximo, tentou transferir a culpa.

"Eu não estava na conversa, não sei se ele realmente falou isso. Eu acredito que não, até porque ele é um cara muito experiente para falar esse tipo de situação. De repente interpretaram da maneira que gostariam de interpretar. Tenho convicção e certeza de que não foi isso que ele quis dizer. De repente o que ele pode ter dito é que a partir desse momento da competição um jogador serviria mais do que um ou outro. Mas acho que não é de trocar um pelo outro", disse o capitão Thiago Silva. 

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