Legado da Copa-10 - Parte 4: Fifa investe 4,6% do lucro da Copa na África

Paulo Passos

Do UOL, em Johannesburgo (África do Sul)

Assim como acontece no Brasil, na África do Sul a Fifa também foi alvo de críticas da população local pelas exigências que fez ao governo, incluindo isenção de imposto para ela e seus parceiros na organização da Copa do Mundo. No torneio de 2010, a entidade lucrou mais de US$ 2,1 bilhões (R$ 4,9 bilhões). Cerca de 4,6% desse valor foi repassado para um fundo que financia investimentos no futebol do país.

Após o Mundial, a Fifa criou o "2010 FIFA World Cup Legacy Trust" para investir no esporte e em ações sociais na África do Sul. A dona da Copa repassou US$ 100 milhões(R$ 235 milhões) para o projeto. Desse valor, R$ 30 milhões foram usados para a construção da sede da SAFA, federação sul-africana de futebol, que fica em frente ao Soccer City, palco da final do Mundial, em Johannesburgo.

"Construímos a nossa sede e estamos investindo em bolsas de estudo para os ex-jogadores, campos de treinamento, programas sociais. Queremos que os jogadores estudem para que tenham qualificação para seguir a vida apos a carreira. Também investimos na realização de campeonatos sub 15 e sub, o que não havia aqui na África do Sul", afirmou Danny Jordaan, CEO da Copa de 2010 e presidente da SAFA (Federação Sul-Africana de Futebol).

Segundo o cartola, até agora mais de 40 projetos já foram aprovados pelo fundo. Aproximadamente US$ 20 milhões (cerca de R$ 47 milhões) foram investidos em 2013.

A medida foi uma tentativa da Fifa para melhorar sua imagem na África do Sul. Durante a preparação do torneio, os principais dirigentes da entidade, o presidente Joseph Blatter e o secretário-geral Jérôme Valcke, viveram polêmicas no país. Assim como aconteceu no Brasil, críticas sobre atrasos em obras eram constantes em entrevistas da dupla. 

"A Fifa é o FMI do futebol", afirma o economista Patrick Bond, diretor da Universidade KwaZulu-Natal, em Durban. "A Copa poderia ter sido um torneio bem menos caro se não houvesse as extravagâncias da Fifa. Eles exigiram, com a conivência dos governantes, dois estádios que viraram elefantes brancos: os de Durban e da Cidade do Cabo. A Fifa fez uma série de imposições. Só quem lucrou foram eles e seus parceiros. O país gastou bilhões e eles lucraram bilhões", completa.

Na África do Sul, a Fifa viu sua receita com a Copa do Mundo chegar a US$ 3,8 bilhões (R$ 8,9 bilhões), um recorde histórico. A entidade gastou US$ 1,7 bilhão (R$ 4 bilhões) na organização do torneio. O lucro foi 48% maior do que o obtido no Mundial de 2006, disputado na Alemanha. 

A estimativa da dona da Copa é de que o lucro no Brasil chegue a US$ 4 bilhões (R$ 9,4 bilhões). Até agora, a entidade ainda não confirmou oficialmente qual será o repasse para investimentos em projetos no Brasil. Em janeiro, Valcke afirmou que o valor deve ser de US$ 20 milhões (cerca de R$ 47 milhões) , cinco vezes menos do que foi repassado para a África do Sul.  

"Ainda vamos fechar e anunciar completo todo esse investimento, mas são pelo menos US$ 20 milhões que a Fifa vai investir em comunidades no Brasil para construção de minicampos e para provocar esporte aliado sempre à educação", afirmou o secretário-geral da Fifa em janeiro.

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