CBF usa luta contra suspensão de Thiago Silva para tentar acalmar Felipão
Paulo Passos e Ricardo Perrone
Do UOL, em Belo Horizonte (MG)
A hipótese bem pouco provável da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) conseguir derrubar a suspensão de Thiago Silva para o jogo contra a Alemanha foi uma ação da entidade para tentar conter Luiz Felipe Scolari. O departamento jurídico da entidade recorreu à Fifa e espera uma decisão nesta segunda-feira, véspera da semifinal, em Belo Horizonte.
O UOL Esporte apurou que a CBF dá como certo que não receberá uma resposta positiva. A ação foi na verdade uma maneira de acalmar o técnico da seleção brasileira. Desde a primeira semana do Mundial, Felipão repete críticas à arbitragem do torneio. Em conversa com um grupo de seis jornalistas na semana passada, na Granja Comary, em Teresópolis, disse que uma vitória do Brasil não interessava à Fifa.
Em pelo menos quatro das dez entrevistas que deu até agora no ambiente Fifa, antes e depois dos jogos, Scolari fez críticas à arbitragem da Copa do Mundo. Após o jogo contra o México, na primeira fase, deixou a sala de coletiva resmungando sobre um suposto pênalti não marcado em Marcelo.
"Não tem mais pênalti a favor do Brasil? Vocês (jornalistas) só criticam o lance do Fred", afirmou já deixando a área de imprensa do Castelão, fazendo referência à penalidade marcada no camisa 9 do Brasil no jogo de estreia do Mundial contra a Croácia.
As declarações do técnico irritaram a direção da CBF. Apesar de não admitirem publicamente, dirigentes da entidade não gostaram principalmente das insinuações do treinador de que a Fifa não quer ver o Brasil campeão em casa. O atual vice-presidente e futuro número 1 da entidade, Marco Polo Del Nero, é membro do Comitê Executivo da Fifa. Já o presidente da confederação, José Maria Marin, também ocupa o mesmo cargo no COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo.
A avaliação é de que os protestos soam como justificativa antecipada para a eventual perda do título. Mas a preocupação maior é de que a tese do complô contamine os jogadores e que eles tenham a arbitragem como uma justificativa na ponta da língua para o caso de derrota.
Porém, ao invés de trombarem com Felipão para ele parar de reclamar, os cartolas preferiram demonstrar para o treinador que trabalham fortemente nos bastidores. Eles mobilizaram o departamento jurídico da CBF e agiram para pedir a anulação do cartão amarelo considerado por Scolari injusto para Thiago Silva. A advertência deixou o zagueiro fora da semifinal contra a Alemanha, nesta terça. A confederação também pede uma punição para Zuñiga, que cometeu a falta que contundiu e tirou Neymar da Copa.
Com essas ações, a CBF mostra sutilmente ao treinador que é melhor trabalhar em silêncio do que reclamar em público. O recado passado para Scolari é de que o foco da comissão técnica e dos jogadores é a busca pela vitória. O restante deve ser administrado pelos dirigentes.
Isso não significa que os cartolas estejam satisfeitos com a atuação dos juízes nas partidas da seleção brasileira. A análise é de que, desde a queixa do croata Nico Kovac sobre pênalti marcado em Fred, houve uma onda de pressão sobre os árbitros escalados para os jogos do Brasil. Nervosos, eles estariam errando mais contra o time de Felipão.
Nunca um cartão foi suspenso em Copas
A CBF se baseou no artigo 37 do Código Disciplinar da Fifa para tentar anular o cartão dado a Thiago Silva. De acordo com o documento, "a pedido de uma confederação, o comitê pode cancelar uma advertência que não tenha resultado em expulsão para restabelecer o equilíbrio entre equipes que não jogaram o mesmo número de partidas durante a competição ou em ocasiões excepcionais."
Nunca na história da Copa do Mundo um cartão amarelo foi suspenso, como pretende a CBF.
"Mesmo que eles não aceitem o nosso pedido, iremos interpor um recurso. Isso é previsto e vamos até o fim", afirmouCarlos Eugênio Lopes, diretor jurídico da CBF, ao UOL Esporte.
Thiago Silva levou um cartão amarelo aos 19 minutos do segundo tempo da decisão contra a Colômbia. No lance, ele impediu o goleiro Ospina de repor a bola. Antes, na segunda partida da Copa, com o México, o capitão da seleção já tinha sido advertido com cartão após cometer falta dura em Chicharito Hernández.
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