CBF descarta investigação interna sobre ingressos repassados para cambistas

Paulo Passos

Do UOL, em Fortaleza (CE)

  • Divulgação/Polícia Civil

    Operação Jules Rimet apreendeu ingressos e dinheiro no Rio de Janeiro e São Paulo

    Operação Jules Rimet apreendeu ingressos e dinheiro no Rio de Janeiro e São Paulo

A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) descarta fazer uma investigação interna para saber quem recebeu os ingressos que acabaram nas mãos de uma quadrilha de cambistas, detida na última terça-feira, pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. Dez bilhetes apreendidos tinham sido entregues a funcionários da entidade que comanda o futebol no Brasil.

O diretor jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, disse ao UOL Esporte que a confederação não foi notificada pelas autoridades sobre o caso. Ele informou que a entidade não apurou quem repassou os ingressos para a quadrilha de cambistas.

"É algo complicado de saber. Cada funcionário da entidade recebe cerca de dois ingressos. Mas eles dão para amigos, familiares. Se essas pessoas próximas repassaram para os cambistas, como vamos saber? A gente não pode punir. Não vamos fazer investigação interna", afirmou Lopes.

O advogado diz, porém, que a CBF ajudará as autoridades em investigações se for convocada. "Se formos chamados pela polícia, vamos colaborar. Por enquanto não nos procuraram", disse Lopes. Como todos os ingressos da Copa, os bilhetes repassados pela Fifa para as federações são numerados.

Funcionários da entidade informaram ao UOL Esporte que há um controle interno indicando quem ficou com cada ingresso. Sendo assim, há como a CBF saber quem recebeu as entradas que foram apreendidas com os cambistas. Além de funcionários, comissão técnica e jogadores, as federações filiadas à entidade também recebem tíquetes do Mundial.

Deflagrada na terça, a operação "Jules Rimet" prendeu 11 suspeitos de participar de um esquema de revenda de entradas cedidas gratuitamente pela Fifa para seus filiados e patrocinadores. Um dia depois, a entidade que organiza a Copa do Mundo se pronunciou sobre o caso. Em nota oficial, o diretor de Marketing da Fifa, Thierry Weil, informou que pretende analisar as informações colhidas por autoridades para identificar a origem dos bilhetes comercializados pela quadrilha.

"A Fifa está à espera de informações detalhadas por parte das autoridades locais, a fim de poder analisar os bilhetes apreendidos e identificar sua origem para que, em conjunto com as autoridades locais, possamos tomar as medidas adequadas", declarou.

Na terça-feira, o delegado Fábio Barucke, responsável pela operação que resultou nas 11 prisões, informou que os ingressos vendidos ilegalmente haviam sido reservados pela Fifa para patrocinadores, clientes de pacotes de hospitalidade e até membros de seleções participantes do Mundial. Segundo Barucke, dez bilhetes apreendidos estavam reservados para membros da comissão técnica da seleção brasileira.

O delegado disse suspeitas que membros da quadrilha obtinham esses ingressos com pessoas da Fifa. A entidade não se pronunciou sobre essa suspeita. Informou que é sua prioridade proteger torcedores da venda ilegal de ingressos.

Os suspeitos que já foram presos são dez brasileiros e um argelino, Mohamadou Lamine Fofana. Fofana identificou-se como empresário do futebol. Eles foram detidos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Com eles, foram apreendidos mais de cem ingressos da Copa e dinheiro. Todos afirmaram que só vão se pronunciar em juízo.

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