EUA usam Copa para fazer futebol ir além de mulheres, jovens e hispânicos

Do UOL, em São Paulo

  • EFE/EPA/TANNEN MAURY

    Torcedores americanos em parque de Chicago, para assistir jogo da seleção na Copa-2014

    Torcedores americanos em parque de Chicago, para assistir jogo da seleção na Copa-2014

Uma quantidade incontável de estudos, pesquisas e colunas jornalísticas vêm tentando, há quase 40 anos, explicar por qual razão o futebol não enlouquece os americanos. Por outro lado, nenhum trabalho acadêmico também consegue decifrar por que a cada jogo da seleção dos Estados Unidos nesta Copa pipocam na TV e na internet vídeos e fotos que retratam torcedores pulando, jogando cerveja para o alto e vibrando com o desempenho da equipe dirigida pelo alemão Jürgen Klinsmann.

Bares, refeitórios de empresas e, principalmente, parques estão sendo tomados por quem parece ter descoberto que o que eles chamam de "soccer" não é só um esporte para ser praticado por mulheres, jovens e hispânicos, os nichos onde a modalidade, estatisticamente, encontra mais adeptos pelo país.

O sucesso da seleção feminina acaba sendo, para especialistas, uma espécie de concorrente para o futebol masculino. Com dois títulos mundiais e quatro medalhas no currículo, a equipe que fez jogadoras como a goleira Hope Solo e a ex-atacante Mia Hamm se tornarem celebridades além dos gramados é exemplo de vitória - um conceito tão valioso para o americano.

"Toda garota que joga futebol quer ser a Mia (Hamm). Ela provoca no estádio algo como os Beatles causavam", compara Anson Dorrance, treinador da jogadora na época em que ela defendia a Universidade da Califórnia, na adolescência, e na Copa do Mundo de 1991, a primeira vencida pelos Estados Unidos (a segunda conquista ocorreu em 1999).

Pelas beiradas

E é na soma do interesse de mulheres e adolescentes que o futebol foi crescendo nos últimos anos, mas às margens do grande público, dos anunciantes e, principalmente, da mídia. Segundo dados da associação das empresas que investem em esporte nos Estados Unidos, o número de praticantes do futebol no país vem patinando desde 1994 (ano em que os americanos organizaram a Copa do Mundo, vencida pelo Brasil). O que segue mais ou menos estável, porém, é o maciço número de jovens que joga bola de forma não oficial.

Dos cerca de, estimados, 12,4 milhões de jogadores de futebol nos Estados Unidos, um terço é de pessoas entre os 12 e os 24 anos, o que torna o futebol o segundo esporte mais popular do país nesta faixa etária, atrás apenas do basquete, motor de uma indústria monstruosa que faz a liga universitária mobilizar o país e a NBA se espalhar pelo mundo.

O terceiro pilar do tabu que faz o futebol parecer ser algo apenas para alguns nos Estados Unidos é a influência que este esporte desperta nos hispânicos, que representam 13% da população do país, de mais de 320 milhões de pessoas.

Para se ter uma ideia, um terço da audiência local da transmissão da final da Copa do Mundo de 2010, entre Espanha e Holanda, se deveu aos espectadores que assistiram ao jogo pela Univision, a emissora em língua espanhol que transmite para os Estados Unidos.

A revolução está na TV

O intervalo de quatro anos entre as duas edições do Mundial, entretanto, parece ter feito uma diferença substancial. No dia em que os Estados Unidos enfrentou Portugal, pela segunda rodada da fase de grupos, 18,2 milhões de espectadores assistiram ao jogo pela ESPN americana, superando os 17,9 milhões de pessoas que haviam assistido à final da Copa do Mundo feminina, em 1999.

A audiência do "soccer" neste dia, quem diria, superou a registrada pelos playoffs da NBA nesta temporada (15,5 milhões de espectadores) e da World Series de 2013, o playoff do campeonato de beisebol (14,9 milhões).

Números que ajudam a explicar um pouco reações como as adotadas na semana passada. O presidente dos Estados Unidos Barack Obama gravou um vídeo de incentivo à seleção. O técnico do time, Jürgen Klinsmann escreveu uma carta às grandes empresas americanas pedindo que liberassem seus funcionários mais cedo para que pudessem a assistir ao jogo contra a Alemanha. E comediante Will Farrell, conhecido por seus filmes escrachados, apareceu em um bar em Recife para inflamar os torcedores americanos na véspera da partida contra os alemães.

Uma vitória nesta terça, contra a Bélgica, pode ser mais um passo importante para que o futebol saia das estatísticas. E caia no gosto de quem vive para vencer.

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