A seleção não deve beber água durante os jogos da Copa. Saiba o motivo

Gustavo Franceschini

Do UOL, em Teresópolis (Rio de Janeiro)

  • Ricardo Nogueira/Folhapress

    Neymar ainda no Santos; na Copa, o camisa 10 da seleção brasileira não deve repetir a cena

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Durante os jogos, é comum ver os jogadores aproveitarem qualquer parada do juiz para pegar garrafinhas na beira do gramado e matar a sede. Na Copa do Mundo a água estará no mesmo lugar, mas é improvável que você veja algum jogador da seleção brasileira se refrescando com o líquido. A ideia da comissão técnica é que Neymar e companhia se reidratem somente com uma bebida especial, preparada à medida para cada um deles.

O controle da ingestão de água durante as atividades físicas é uma das premissas da comissão técnica para o trabalho que a seleção fará na Copa do Mundo – repetindo o que já fez na Copa das Confederações. Um dos patrocinadores da seleção levantou, ao longo dos últimos meses, os dados de consumos de energia e nutrientes necessários para o bom funcionamento do corpo de todos os jogadores. Com isso, vai produzir um isotônico (bebida usada para reidratação após a prática esportiva) específico para cada atleta.

"As garrafas que ficam no campo contêm água dentro. O uso do nosso produto ele se limita ao intervalo. Jogador vai no vestiário e bebe o que precisa. O que acontece é que quando ele já entra bem hidratado ele não vai precisar dessa água. Na maioria das vezes, vão usar a água mais para enxaguar a cabeça e o corpo em vez de consumirem", disse Orlando Laitano, pesquisador da Universidade Federal do Vale São Francisco e consultor do GSSI, centro de estudos da Gatorade, marca responsáel pelo projeto.

Não há uma determinação expressa para que os jogadores não bebam água, mas espera-se que isso não seja necessário. Durante o jogo, eles não só quebrariam o processo de reidratação como ainda fariam propaganda de uma marca rival.

A Gatorade é parceira da seleção brasileira, mas concorre diretamente no mercado com a Powerade, marca de isotônicos da Coca-Cola que patrocina a Copa. Na beira do gramado, durante a competição, os atletas terão à sua disposição garrafinhas com a marca Powerade cheias d'água. Se não precisar disso durante os 90 minutos, portanto, a seleção vai manter seu plano de reidratação, o que servirá duplamente ao patrocinador.

Essa precisão é resultado de uma pesquisa que começou a ser implementada no ambiente da equipe de Luiz Felipe Scolari no ano passado, sob a supervisão de Carlos Alberto Parreira. Laitano, que comanda o projeto da Gatorade, visitou a concentração da seleção antes da Copa das Confederações e colheu amostras de suor e urina para saber como deveria ser o processo ideal de reidratação de cada atleta.

"Cada atleta apresenta uma necessidade diferente, e muitas vezes a necessidade diferente não é contemplada pela bebida convencional. Um exemplo de jogador é o Paulinho, que preserva bastante o estoque de carboidratos, embora seja de muita movimentação em campo. Por isso, a gente foca a bebida dele na produção de eletrólitos", disse Orlando Laitano.

Dos 23 convocados por Felipão, só Fernandinho, do Manchester City, não forneceu dados para a pesquisa. As amostras do volante serão colhidas nos dois primeiros dias do Brasil na Granja Comary, em Teresópolis, quando todos os demais jogadores também vão refazer uma parte dos exames feitos no ano passado – além de outros de praxe, como os testes físico e cardiológico.

Laitano foi convidado por José Luiz Runco, chefe da parte médica da seleção, para acompanhar os dois primeiros dias de treinamento de perto. A coleta de dados pode indicar para Felipão, por exemplo, qual jogador tende a perder ritmo no segundo tempo das partidas.

A correção desse problema viria com a bebida especial. Para controlar o quanto cada atleta consome, a comissão fará com que eles usem uma garrafa diferente, que passa, em tempo real, o volume de líquido ingerido, dado que ficará nas mãos do fisiologista Emerson Silami, que acompanhará a seleção durante a Copa do Mundo.

"A ideia é repor o que foi perdido com o suor. A gente tenta evitar a desidratação que é inerente à prática esportiva. Uma característica é ter o jogador pronto para uma nova atividade em um espaço menor de tempo, o que é importante em uma competição como a Copa do Mundo, em que você tem um intervalo curto entre os jogos", disse Laitano. 

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