Constrangimento e bronca marcam "anúncio" da Fifa sobre Curitiba

José Ricardo Leite e Rodrigo Mattos
Do UOL, em Florianópolis

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O que era para ser uma coletiva com tom de suspense sobre um anúncio que poderia ser trágico para a organização da Copa do Mundo de 2014, virou um palco de constrangimento com explicações para um papelão, além de cutucadas e até broncas diretas.

A Fifa organizou uma entrevista coletiva no Costão do Santinho, em Florianópolis, de última hora, para anunciar se Curitiba permaneceria ou não como sede da Copa (a decisão fora tomada sigilosamente pela manhã, na capital paranaense). Mas não foi isso que se viu no evento.

Antes mesmo da chegada dos membros, a Fifa foi "furada" com a informação vazada pelo prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT). A coletiva foi atrasada, com todos já sabendo o desfecho positivo da permanência da cidade-sede.

Foi difícil para o secretário executivo, Jérôme Valcke, disfarçar toda a saia-justa por ter que explicar o que depois o próprio Twitter da entidade máxima do futebol acabou informando o veredito sobre a manutenção de Curitiba.

"Ao que parece não é uma conferência ou evento, pois o prefeito de Curitiba já anunciou a conversa que tive com ele e já saiu no twitter. E não sou quem controla a conta de Twitter", falou, contrariado.

Fora anunciado que a coletiva teria representantes do organização paranaense, porém ela começou sem nenhum deles. Quando os três representantes chegaram, sobrou uma boa dose de ironia do chefe de comunicação da Fifa, Walter de Gregório.

"Eles acabaram de chegar. um pouco tarde para a coletiva, mas a tempo para a Copa do Mundo, espero", cutucou. Curitiba estava sendo representada pelo presidente do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia, o coordenador-geral da Copa no Paraná, Mario Celso Cunha, e o secretário municipal extraordinário da Copa, Reginaldo Cordeiro.

Petraglia, conhecido por seu estilo de jogo duro no comando do Atlético-PR, se sentou na cadeira mais distante e fez cara fechada, de poucos amigos, durante todo o tempo em que os outros davam explicação. Seu tom de desleixo era tamanho que em alguns momentos até fechou os olhos e parecia "pescar".

Em seu discurso de justificativa do atraso que envolveu as obras da Arena da Baixada, aproveitou para lembrar uma data especial de seu clube.

"Tivemos muita alegria nesse caminho, quando apresentamos em 2008 o nosso projeto para cidade sede da Copa", disse. "Estou à frente do nosso clube por ser apaixonado por ele e nossa instituição, que no dia 26 de março completa 90 anos", discursou.

Na tentativa de explicar papelão que passou a capital paranaense, o dirigente falou em "limitação de recursos" e falou tentou usar do fato de o estádio ser privado, e não público. Mas procurou adotar um tom otimista, que teve mais cara de amargo.

"Lamentavelmente não fomos capazes. Tivemos o alerta das autoridades. Nos unimos em tom desse objetivo de não envergonharmos a nossa terra e criarmos dificuldade para o governo e pela imagem do Brasil lá fora." 

Valcke também não perdoou o imbróglio todo que envolveu a capital paranaense e soltou frases ácidas para demonstrar seu desconforto com tudo o que ocorrera.

"Não sei se o mais lento foi [Curitiba]. Soccer City era um grande desafio porque tinha não só na abertura e na final. Era uma chave. De novo, quando entregar a Copa na Rússia, vou garantir que os estádios em 2018, sejam entregues em dezembro de 2017. É o tempo que precisamos. É o que precisamos. Já fomos claros."

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