Argentinos não preocupam segurança no RS: "Nem todos são problemáticos"

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

Os órgãos de segurança de Porto Alegre não vão mudar a rotina por conta da invasão argentina que deve ocorrer a partir de segunda-feira. Mesmo com a informação divulgada pelo jornal Olé de que 200 mil 'hermanos' estarão na capital gaúcha, o efetivo seguirá o mesmo, só terá ações especiais. O subcomandante geral da Brigada Militar, Coronel Silanus Mello, avisa que não se pode generalizar a torcida argentina e as atenções estarão voltadas aos aficionados com histórico violento. 

"Nem todo argentino é problemático. Temos um planejamento que não será alterado. Não vamos generalizar a torcida argentina. A imensa maioria sabe se comportar muito bem. A preocupação é em relação a um grupo, os chamados barra bravas, que se conseguirem entrar no Brasil, vamos estar atentos", disse ao UOL Esporte. 
 
A previsão dos órgãos de segurança gaúchos é que em torno de 50 mil argentinos estejam em Porto Alegre entre segunda e quarta-feira, data em que ocorre o duelo com a Nigéria. Mas segundo o jornal Olé serão 200 mil. 
 
"Não acreditamos em mais de 50 mil, aproximadamente. Sabemos que entre 16 e 20 mil estão com ingressos comprados. Vamos agir para manter a tranquilidade que temos até agora. Tivemos uma grande movimentação de torcedores em Holanda e Austrália e não houve um foco sequer de confusão", afirmou. 
 
Em Belo Horizonte, a Polícia Militar organizou uma ronda noturna para impedir que os argentinos sem hospedagem repetissem a rotina de dormir na rua, pelas calçadas. Em Porto Alegre, o clima se encarregará de conter o sono ao relento. 
 
"Quero ver eles conseguirem dormir com esta temperatura. Nossas noites têm sido muito frias. Uma coisa é dormir na rua em um clima quente, outra é enfrentar um clima como o nosso. Isso já impede que fiquem pela rua. Mas temos parques em que isso não pode acontecer", disse. 
 
O efetivo policial não será ampliado, mas vai trocar de lugar. O posicionamento dará atenção a locais com maior acúmulo de pessoas, como o entorno do Beira-Rio em dia de treinamentos e jogos, o centro da cidade, o Anfiteatro Pôr-do-Sol, onde ocorre as Fan Fest da Fifa, e o bairro Cidade Baixa, conhecido pela quantidade de bares e casas noturnas. 
 
Turismo se organiza para lucrar
 
Enquanto isso, a secretaria de turismo organiza a melhor forma de receber os visitantes. O secretário Luiz Fernando Moraes garante que a cidade está pronta. 
 
"Nos preparamos muito para vinda dos argentinos e até agora tudo ocorre como planejamos. Investimos na qualificação e contratação de mais pessoas para trabalharem indicando pontos turísticos e apresentando a cidade. Temos Points [Pontos de Orientação e Informações Turísticas] que ficam espalhados pela cidade. São 33, sendo 22 em postos de gasolina, para os que vem de carro ao Brasil. Isso será importante na descentralização das informações", garantiu o secretário. 
 
Muitos argentinos optam por acampamentos, ou motorhomes durante a permanência no Brasil. Para isso, há dois espaços no município de Viamão, distante 20 km de Porto Alegre reservados para os estrangeiros. 
 
No hotel onde a delegação argentina ficará hospedada, um posto consular será montado para auxilair em eventuais problemas de estrangeiros no país. A base argentina, na zona norte de Porto Alegre, não autorizará a entrada de torcedores no pátio do hotel. Eles permanecerão na rua e não terão contato com os atletas. 
 
A seleção argentina chega a Porto Alegre na noite de segunda-feira. O jogo em solo gaúcho será diante da Nigéria, na quarta-feira às 13h no Beira-Rio. 


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