Jefferson lamenta racismo e evita comparações com Barbosa após convocação

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

Jefferson
Jefferson

A comparação é inevitável. Se em 1950, o Brasil tinha um goleiro negro com Barbosa, isso voltará a acontecer 64 anos depois com Jefferson, do Botafogo, confirmado na Copa do Mundo por Felipão nesta quarta-feira . Em tempos que o racismo é assunto bastante debatido, o goleiro alvinegro prefere não entrar em polêmica e minimiza as comparações com o antecessor.

"O que tinha que falar sobre esse assunto já falei. É outra história e fico trise que exista o racismo. Não sei se vai acabar ou não um dia. Sabemos da nossa responsabilidade. Ouvimos nas ruas e na mídia a questão do preconceito, mas nunca senti pessoalmente, isso não existe comigo. Todos me dão apoio. Botafoguense e rivais me elogiam. Minha força vem de Deus e o que puder para fazer, farei", disse Jefferson.

Único representante do Botafogo na Copa do Mundo, Jefferson foi humilde em sua primeira entrevista coletiva após ter seu nome divulgado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. O goleiro fez questão de agradecer ao clube por um dos melhores dias em sua carreira. Segundo ele, foi no Alvinegro que ele teve a oportunidade de amadurecer e mostrar seu potencial para o mundo.

Com a convocação, o Botafogo volta a ter um representante na Copa do Mundo após 16 anos, quando Gonçalves fez parte do grupo que ficou com o vice campeonato em 1998, na França. Jefferson lembrou da história vitoriosa do Alvinegro na seleção brasileira  e disse que o clube deve continuar com essa ambição.

"O Botafogo foi o time que me levantou. Tive passagem pelo Cruzeiro, mas foi no Botafogo que eu amadureci e cheguei à seleção brasileira. Conquistei grandes títulos. Quando visto a camisa da seleção, visto também a do Botafogo e represento seus milhões de torcedores. Fico feliz de resgatar isso. Grandes botafoguenses já jogaram na seleção e isso deve ocorrer sempre. Pela grandeza e historia do Botafogo, isso deve se tornar uma rotina", disse Jefferson.

Apesar da felicidade, Jefferson não pode dizer que foi pego de surpresa com a convocação. Pelo contrário. O goleiro tem sido convocado com regularidade desde a época em que Mano Menezes era o treinador da seleção. Com a chegada de Felipão, seu nome continuou em alta e foi ratificado na lista divulgada na manha desta quarta-feira.

"Estava bastante confiante. Por tudo o que já fiz na seleção brasileira e no Botafogo. Mas sempre dá um friozinho na barriga. Na hora da convocação estava com a esposa, tranquilo, mas a ansiedade tomou conta na hora. A ficha não caiu ainda. Se parar para analisar o que está em jogo. Copa do Mundo, no Brasil... É o sonho de todos atletas. Alguns jogadores fizeram sucesso, mas não jogaram uma Copa e eu vou ter isso. Estou pronto para honrar a camisa da seleção", afirmou.

Jefferson estará em campo no sábado, quando o Botafogo enfrentará o Criciúma, no Maracanã. Ele estará à disposição do Alvinegro até o dia 26, quando se reapresentará á seleção brasileira para período de treinos na Granja Comary, em Teresópolis.

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