Copa 2018

Kim vai dar atenção ao botão nuclear ou ao da TV na Copa?

KCNA/via Reuters
Kim Jong-un acompanha teste de míssil intercontinental Hwasong-14 Imagem: KCNA/via Reuters

Daniel Lisboa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/01/2018 06h00

O ano mal começou e o temor de uma guerra nuclear voltou ao noticiário. O ditador norte-coreano Kim Jong-un lembrou que todo o território americano está ao alcance de seus mísseis.

Segundo ele, acioná-los é uma mera questão de apertar um botão de sua mesa. Como resposta, o presidente dos EUA Donald Trump avisou que ele “também tem um botão nuclear”, mas “muito maior e mais poderoso.”

Se um dia as bravatas se tornarão realidade é impossível prever, mas, pelo menos durante a próxima Copa do Mundo, é provável que Kim Jong-un modere ao menos um pouco sua obsessão pelo inimigo para assistir aos jogos da competição.

A Coreia do Norte só participou de duas Copas – 1966 e 2010 -, mas atuações recentes da seleção nacional e as sempre escassas informações vindas do país sugerem que o ditador, e muitos norte-coreanos, gostam de futebol e acompanharão o torneio na Rússia.

“Coreia do Norte passa por renovação”

“Os norte-coreanos acompanham a Copa do Mundo desde muito tempo por meio de reprises da Central Coreana de Televisão e de pequenos noticiários. Os resultados também costumam sair em jornais esportivos como o Cheyuk Sinmun”, diz o estudante de jornalismo Lenan Cunha.

O brasileiro de Maricá, no Rio de Janeiro, gosta de futebol internacional. Mas o foco de suas atenções não está na Premier League, La Liga ou Bundesliga. Lenan é o responsável por uma raríssima página do Facebook sobre futebol na Coreia do Norte.

“O futebol masculino norte-coreano vive historicamente entre altos e baixos. Teve momentos bons, grandes equipes e também grandes fracassos”, explica o estudante. Para ele, o futebol na terra de Kim Jong-un passa por um processo natural de renovação após a Copa de 2010 (quando jogou contra o Brasil e caiu na primeira fase), mas, apesar do início ruim do técnico norueguês Jorn Andersen na seleção, a temporada até que não terminou mal.

“No final, a equipe conseguiu bater a Malásia em dois jogos e está próxima de garantir o objetivo de se classificar para a Copa da Ásia. Também fez bons jogos contra potências continentais na Copa do Leste Asiático, disputada no Japão em dezembro, perdendo de 1 a 0 para Japão e Coreia do Sul em jogos que poderia até ter ganhado, e empatando com a China na rodada final”, argumenta Lenan.

“Acredito que 2018 seja um ano de avanço para o futebol norte-coreano, que vai buscar vaga na Copa do Mundo do Qatar. O governo está fazendo esforços para melhorar as estruturas esportivas e incentivando a prática cada vez mais, além de promover cooperação internacional e aplicação de ciência e tecnologia em treinamentos para melhorar o desempenho.”

EFE
Kim Jong-un assiste a uma partida de futebol em local não divulgado na Coreia do Norte Imagem: EFE

Kim torce para o Manchester United

Como dificilmente algo acontece na Coreia do Norte sem que seja a vontade de seu líder supremo, a inclinação pessoal de Kim Jong-un para o esporte pode ajudar na evolução prevista por Lenan. Em entrevista ao tabloide inglês “The Sun”, o senador italiano Antonio Razzi, amigo do ditador, disse que ele é um torcedor ardoroso do Manchester United.

Kim Jong-un não só acompanharia os “Red Devils” como acredita que o norte-coreano Han Jwang-song, atualmente jogando no Perugia, da Itália, é apenas o primeiro dos jogadores formados no país que irão brilhar mundo afora.

Em outra reportagem sobre o futebol na Coreia do Norte, o também inglês “The Independent” pontuou que, pelo menos dentro de campo, parece mesmo haver sinais de mudança no país. Ano passado, times norte-coreanos voltaram a disputar a AFC Cup (equivalente asiática da Europa League) após 25 anos.

Piadas no WhatsApp apagadas

Em setembro, o Bengaluru FC, da Índia, viajou à Pyongyang para jogar contra a equipe local 4.25 SC. Segurou o 0 a 0 após vencer em casa por 3 a 0, e seu meio-campista australiano Erik Paartalu contou à rede britânica BBC um pouco do que viu no país mais fechado do mundo.

“Era um aeroporto internacional (de Pyongyang), mas só havia um avião pousando. Houve confusão com as nossas malas e tivemos que passar duas horas lá. Toda a estrutura de imigração e lojas estava fechada e as luzes apagadas. Estávamos totalmente a sós no aeroporto”, disse Paartalu, que brincou: “ainda bem que eles não têm Twitter na Coreia do Norte, porque eu tinha feito uma piada sobre encontrar Kim para tomar um drinque”.

Todo os integrantes do time indiano precisaram dar os celulares e tablets para que checassem eventuais fotografias tiradas por eles. O australiano contou que, já prevendo essa situação, antes de embarcarem os jogadores trataram de apagar todas as piadas sobre o ditador norte-coreano feitas em um grupo de WhatsApp.

Atletas reverenciados

Dentro de campo, o que mais chamou a atenção de Paartalu foi o fato de o estádio para 150 mil pessoas ter apenas cerca de 8 a 9 mil torcedores. “Eles estavam em silêncio quando o jogo começou, mas claramente entendiam algo de futebol. Apenas expressavam a paixão de um modo diferente”, avaliou o australiano.

“Kim Jong-un esteve presente em algumas partidas de futebol acompanhando da arquibancada e tirando fotos com os jogadores após as partidas. Também recebeu a seleção feminina no aeroporto quando o time ganhou a Copa do Leste Asiático em 2015 e sempre envia felicitações para esportistas, incluindo futebolistas, em seus nos discursos”, lembra Lenan como mais uma possível prova do entusiasmo do líder pelo esporte.

 

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