Copa 2018

Sensação em 2014, Costa Rica mantém a base, mas só Navas explode

Bruno Grossi e Pedro Ivo Almeida

Do UOL, em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ)

02/12/2017 04h00

A Costa Rica foi a grande sensação da Copa do Mundo de 2014. A modesta seleção, que disputava a fase de grupos apenas pela quarta vez na história, conseguiu campanha heroica e só caiu nas quartas de final para a Holanda, nos pênaltis. A base foi mantida para o Mundial de 2018, quando enfrentará Brasil, Suíça e Sérvia no Grupo E. Mas se já conseguiu marcar época na seleção e para o povo costa-riquenho, a atual geração de jogadores decepcionou na projeção em clubes.

Na primeira rodada de 2014, quando a Costa Rica surpreendeu e ganhou por 3 a 1 de virada do Uruguai, as atenções se voltaram para o veloz atacante Joel Campbell. No currículo do atleta, os direitos comprados pelo Arsenal chamavam a atenção e criavam expectativa de oportunidades na Premier League. Em seis anos vinculado aos Gunners, no entanto, foram apenas 40 jogos e quatro gols. Na maior parte do tempo, passou emprestado a times menores. Hoje, está pela segunda vez no Betis, mas soma só quatro partidas na temporada.

Há ainda os casos de Christian Bolaños e Bryan Ruiz, outras importantes peças ofensivas em 2014. Ruiz, com a camisa 10, fez três gols na Copa disputada no Brasil, vinha de título holandês com o PSV, jogou um ano na Inglaterra com o Fulham e, em seguida, foi ao Sporting Lisboa. Na primeira temporada, a 2015/16, fez 13 gols em 46 jogos. Aos poucos, entretanto, perdeu espaço. Na atual temporada, entrou em campo somente duas vezes. Por isso, pediu até para ser negociado. Quer jogar mais para chegar em melhores condições à Copa.

Bolaños, assim que o Mundial passado terminou, foi oferecido ao Atlético-MG. Todas as bases do contrato estavam preparadas, mas o jogador deu para trás para buscar os petrodólares do Al Gharafa, do Catar. Desde então, jogou pelo Saprissa, da Costa Rica, e agora defende o Vancouver Whitecaps, time canadense que participa da MLS, principal liga dos Estados Unidos.

Damir Sagolj/Reuters
Navas defende pênalti contra a Grécia na Copa do Mundo de 2014 Imagem: Damir Sagolj/Reuters

Dos heróis da campanha de 2014, apenas um conseguiu prosperar de vez na carreira. O goleiro Keylor Navas saiu da Copa direto para o elenco estelar do Real Madrid. Embora a diretoria merengue tenha insistido nas últimas janelas de transferência em trocá-lo por David de Gea, do Manchester United, o costa-riquenho suportou o tratamento frio e a pressão de substituir o ídolo Iker Casillas para ser titular nas conquistas de duas edições de Liga dos Campeões da Europa e uma do Campeonato Espanhol. 

Personagens periféricos da geração que emocionou a Costa Rica há três anos e meio também seguiram a sina do anonimato. O volante Yeltsin Tejeda, elogiado pela forte marcação, foi parar no futebol da suíça. O lateral-direito Cristian Gamboa, na Escócia. E até o técnico Jorge Luis Pinto acabou perdendo espaço no cenário mundial. Logo depois da última Copa, iniciou projeto com a seleção de Honduras, chegou a ser semifinalista da Olimpíada de 2016, mas fracassou na missão de jogar o Mundial da Rússia em 2018.

O comando da seleção costa-riquenha ainda passou pelo ídolo Paulo Wanchope, que jogou as Copas de 2002 e 2006, mas em 2015 a federação local o trocou por Óscar Ramírez. O desempenho do país desde o Mundial de 2014, em 54 jogos, é de 23 vitórias, 17 empates e 14 derrotas, com aproveitamento de 60%. Os números levaram a seleção ao 26º lugar no ranking da Fifa.

A rede de observação da seleção brasileira já colheu dados sobre a Costa Rica nos últimos meses, com a participação do departamento de análise do Avaí - clubes do Brasil ajudaram a comissão técnica de Tite a analisar os possíveis adversários na Copa de 2018. Espera-se um time voltado para defender e sair em contra-ataques, quase sempre atuando com uma linha de cinco defensores, quatro meio-campistas e apenas um atacante. A principal força ofensiva vem das bolas paradas, principalmente com o zagueiro Kendall Watson, do Vancouver Whitecaps.

Mais dez partidas devem ser usadas para aprofundar os estudos sobre os costa-riquenhos, que costumam usar os defensores para o ataque quando têm o placar adverso. Ou seja, o perigo para o Brasil virá de cima.  

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está fechada

Não é possivel enviar comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Mais Copa 2018

Topo