Agência de publicidade está por trás de campanha de Neymar contra racismo

Guilherme Costa
Do UOL, em São Paulo

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Daniel Alves reagiu rapidamente. O jogador se preparava para cobrar um escanteio em jogo contra o Villareal, no último domingo, quando um torcedor rival atirou uma banana no gramado. O lateral direito recolheu a fruta, descascou e comeu. Neymar também reagiu rapidamente. O atacante, que está machucado, tirou uma foto acompanhado do filho e a publicou em redes sociais com a hashtag #somostodosmacacos. Duas ações fortes contra o racismo, ambas protagonizadas por brasileiros que defendem o Barcelona, mas só uma delas foi totalmente espontânea: a campanha lançada por Neymar já havia sido planejada pela agência de publicidade Loducca.

A Loducca havia criado a marca NJR, que acompanha produtos e campanhas oficiais de Neymar, e também já desenvolveu trabalhos para um instituto social que leva o nome do atacante. Isso aproximou a agência do estafe do camisa 10 da seleção brasileira.

No dia 13 de abril, depois de um jogo contra o Granada, Neymar foi alvo de insultos racistas quando desembarcou do ônibus em Barcelona. Torcedores imitiram sons de macacos quando o jogador brasileiro passou.

"Quando aconteceu de ele ser hostilizado, surgiu a necessidade de o [Neymar] Júnior se posicionar. Ele precisava fazer alguma coisa. Juntos, então, pensamos no melhor jeito para isso. Pensamos em algo que tirasse o poder da pessoa preconceituosa. Algo como o que acontece na infância: um apelido pega se você ficar bravo", ponderou Guga Ketzer, sócio e vice-presidente de criação da Loducca.

A campanha e um vídeo baseado na hashtag já estavam prontos no domingo, à espera de um episódio que servisse como gancho para publicação. A foto de Neymar com o filho foi tirada por ele de forma espontânea.

Na imagem, Neymar e o filho, que é loiro, seguram bananas (uma fruta, no caso dele, e uma pelúcia nas mãos do garoto).

"Não é uma campanha publicitária, mas um movimento e uma voz. Ajudamos a embalar isso numa hashtag. Já estávamos falando sobre isso, e quando o Dani comeu a banana achamos que faria todo sentido lançar. O timing era perfeito", disse Ketzer.

Nesta segunda-feira, o Villareal publicou uma nota no site oficial e anunciou que identificou o torcedor que atirou a banana. O responsável pelo ato racista perdeu o carnê de sócio e será proibido de frequentar o estádio do clube até o fim da vida.

"Acreditamos que o racismo vai ser enxergado de forma diferente a partir do que aconteceu ontem [domingo]. Todo mundo, da presidente da República ao torcedor comum, se manifestou. O gesto do Dani foi lindo, e foi uma coisa bem brasileira: ele viu um problema, engoliu e tirou de letra numa boa. A atitude foi muito legal", avaliou o executivo da Loducca.

"O que nós planejamos foi a criação de um post com um conceito. Você perde a força porque não pode chamar todo mundo de macaco. Agora, o negócio tem ficado muito maior. Tem gente criando campanhas, marcas fazendo ações em cima. Só um cara como o Júnior ou o Dani para acabar com atitudes racistas que não fazem o menor sentido", completou Ketzer.

Em entrevista à "Rádio Globo", Daniel Alves admitiu que havia conversado com Neymar e que sabia sobre a intenção de criar uma campanha contra o racismo. No entanto, o lateral negou que a atitude de domingo tenha sido premeditada: "Peguei a banana e comi sem pensar em nada além disso. Aconteceu com outros companheiros, em outras ocasiões, e nós já tínhamos debatido sobre isso. Já tínhamos conversado sobre a campanha que o pessoal do Neymar estava querendo fazer, mas foi uma reação muito espontânea, no instinto".

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